Liberdade de Expressão: O Direito de Pichar a Fachada da Própria Casa

Blog Placa Rancho de amor à Ilha

Seja qual for o conteúdo do teu protesto – seja de direita ou de esquerda -, PICHA A FACHADA DA TUA CASA, meu bem. A casa é tua, tu pagas o financiamento e o IPTU. Tens todo o direito.  Então, aproveita. Libera a tua raiva, a revolta, e também a criatividade. Sugestão: usa tinta bem forte e letras garrafais. Manda ver!! Se alguém reclamar, tasca-lhe o respectivo artigo da Constituição Federal, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, evoca o teu sagrado direito à liberdade de expressão e bate a porta na cara do ignaro.  É o teu quintal  e ali és o Rei/a Rainha. Mas, tirando o teu cercadinho, meu amigo, minha amiga, os demais espaços ou são de outro alguém ou são públicos, portanto, não te pertencem. A casa é tua, mas as placas de trânsito e as de conteúdo cultural, o asfalto nas ruas, os monumentos históricos, os costões nas praias, as tradições religiosas e culturais (os Tapetes de Corpus Christi, por exemplo), são espaços públicos, devem ser preservados e respeitados como tal. Por tempos menos tenebrosos!

. Tapete de Corpus Christi Pichação

Sim. Isso aconteceu ontem durante a Procissão de Corpus Christi, uma tradição religiosa, mas também cultural, em Florianópolis. A foto é do Emílio Cerri, capturada do seu perfil no Facebook. Gerou muita indignação, mas também teve quem defendesse a ação. Teve até quem “adorasse”.

 

*O Rancho de Amor à Ilha foi composto por Claúdio Alvim Barbosa, o Poeta Zininho. Escolhido em concurso promovido pela Prefeitura Municipal em 1965 e oficializado como Hino  da Cidade de Florianópolis em 1968, há décadas seus versos  conferem ainda mais beleza e encantamento às curvas do Morro da Lagoa da Conceição.

*Foto da Placa: Luiz Meira capturado no perfil de Claúdia Barbosa, filha do Poeta.

Entreouvido na Sala de Cirurgia

Centro cirúrgico

E lá estava eu anestesiada dos seios para baixo, um braço amarrado para cada lado, numa prancha, imóvel e indefesa como um crucificado.

Passado o momento constrangedor e atemorizante da peridural, vi as pessoas afastarem-se. O silêncio reinou por alguns segundos, intermináveis segundos, suficientes para eu ser assaltada por um pensamento angustiante e recorrente: – E se eu precisar sair daqui? Como é que eu faço se eu precisar sair correndo daqui? E se alguém gritar: – Fogo!? – E se um maluco entrar atirando? Uma cara simpática aproximou-se: – Está tudo bem? Eu, blasé: – Tudo bem!

O burburinho das pessoas e o som metálico dos instrumentos me salvaram da sensação de desamparo. Não pude deixar de ouvi-los, pois falavam alto. A conversa girava em torno dos novos modelos de smartphones.

Já visse o modelo novo? Puta coisa linda!

– O S7? Pois tu sabes que resolvi dar de presente pra minha mulher no aniversário de casamento, né. Levei ela pra escolher. O cara colocou no balcão o S4, o S6 e o S7. Ela escolheu o S4 porque achou mais lindo. Saí no lucro.

(Pessoa pouco versada em tecnologia e completamente desinteressada dessas novidades mercadológicas, eu ali, entendendo nada, mas ligadíssima no papo).

Lucro tive eu, rapaz! Comprei um pela metade do preço.

Onde, cara? Vô lá depois que sair daqui!

Comprei de um cara que eu conheço.

Trouxe dos Estados Unidos?

Não. É usado, mas tá novo. Praticamente sem uso.

Como assim?

– O cara é mudo. Só usava pra passar mensagem.

Ai, ai. Cronista não tem sossego nem dentro de um Centro Cirúrgico.

 

*imagem capturada na internet.

Minha Personal Beauty Mané

O nome dela é Leninha e não, não tem nada a ver com  aquela uma da novela (descobri agora, agorinha, que havia uma homônima dela igualmente dedica à atividade: Leninha,  Personal Beauty, numa novelinha da Globo).

Conheci a minha Leninha há pouco mais de um ano através de uma conhecida e – olha a sorte da pessoa! – não é que ela mora do ladinho da minha casa? Como diz o Mané: – Vai sê rabuda assim lá nu zinfernu!

A pessoa é tão simpática e boa no que faz que virei cliente tipo “de cardeneta”, como se diz na Ilha. Quando fiz a operação no joelho ela se prontificou a me atender “em domicílio”: – Vô na tua casa, boba!  (Esclarecimento: aqui, chamar de boba é elogio). Garrei gosto na mandriagem e agora ela vem à minha casa, toda semana. Não é um doce? Pois o que a mulher tem de doce, tem de impagável. Um “prato cheio” para um cronista.

Dia desses ela veio renovar o meu ruivo. Na hora da lavação do cabelo – a mulher é do tipo que esfrega bem, tem mão pesada -,  é de praxe: lá pelas tantas eu seguro a sua mão e peço que ela diminua a força. Pois dessa vez, nem deu tempo de falar. No que segurei a mão dela, a mulher me solta um grito: – Ai, meu Deus! A moleira tá fechada, né??? Quase morri de tanto rir.

Ela acabou de sair daqui. Veio fazer-me  as unhas. No que abro a porta ela me aparece toda bonita, de “escovinha”. Eu disse: – Que linda!  (Ela é linda mesmo!) Toda escovada!

Ela foi entrando e, toda rebolida, respondeu: – Fui no Pet!!

Tô rindo até agora.

Da série com blusa linda.