Dos Deveres de uma Boa Avó

Saio do Pilates atrasada para um almoço à convite da Filha. Esbaforida – é o tempo de um rápido banho e uma breve montagem, tipo tudo preto com bota preta -, abro a porta e dou de cara com um neto que “mora longe” no meio da minha sala. Assim. Sem aviso. Sem preparo emocional. Antes da explosão de alegria – o almoço era mentira -, a bronca nos filhos que urdiram a surpresa, mancomunados: – Vocês querem me matar do coração?  E eu lá ensinei vocês a mentir? Isso a gente aprende sozinho, mãe!, diz o pai da criança.

Os planos mudam de bateção de perna no shopping para bateção de perna no sítio, o que implica em dar comida pra galinha, correr de ganso no pasto, levar rasante de borboleta, apontar passarinho no céu, pisar em bosta de vaca, tomar café coado e comer cuca de banana. Se tudo isso já é bom sozinho, imagina com família, imagina com neto.

No retorno para casa, o Neto, aceso, tira uma meleca do nariz e a passa no banco da frente. A meleca volta no seu dedinho gordo. Eu digo: – Não é aí, querido. É aqui, ó! (apontando a base da sua cadeirinha). A Tia Dinda, metida onde não é chamada e esquecendo que teve infância: – Olha o que a tua mãe tá ensinando pro teu filho, JP!!!! Ensinando a botar meleca debaixo do banco!

Respondi: – Vó tem que ensinar a fazer a coisa certa!

O Neto aprendeu.

JA na Fazenda 1

Enquanto Espero a Massa do Pão Crescer…

O Paraíso deve ser uma grande Padaria onde a gente se serve de pão fresco e de sonho à farta! De um lado fica a Biblioteca do Borges. Do outro, a Taverna do Pierre Aderne onde todo fim de tarde rola vinho e um fado bem temperado. Em frente, fica a Cafeteria do Seo Fernando que vez por outra é internado, coitado, porque imagina ser outra Pessoa.

Pão

*imagem capturada na Internet

Poesia é Uma Vaca no Meio da Calçada

“Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento”.

Adriana Füchter

    Texto: Martha Medeiros in “Doidas e Santas”

Foto: Adriana Füchter

https://www.flickr.com/…/2697611…/in/pool-luminousfotografia