Sim e Não

Minhas dúvidas são feitas de absolutas certezas. Às vezes 100% sim. Às vezes 100% não.

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A Jornada Tortuosa

Quando se está num caminho virtuoso, tudo que acontece, o de bom e o de ruim, o que dá certo e o que dá errado, a pessoa que chega, a pessoa que vai, tudo contribui para nos levar ao lugar onde deveríamos estar desde o começo. O que a jornada tortuosa faz é nos reconduzir ao Caminho e preparar-nos para esse momento, para o encontro com o que sempre esteve lá à nossa espera. A isso chamamos Destino.

Tarô O Mundo

 

*imagem capturada na Internet. Desconheço a autoria.

 

Era Táxi, mas Parecia Uber

Tenho resistido a usar o UBER não porque tenha restrições ao aplicativo. Sei que a inovação é inexorável. E desejável. Mas penso que devíamos encontrar um meio termo entre o aluguel do serviço nos moldes tradicionais e o novo.

Uma maneira seria regulamentar o aplicativo cobrando algum tipo de taxa, afinal, se eu quiser colocar uma barraquinha pra vender artesanato na esquina da minha rua serei obrigada a pagar imposto, por que cargas d’água o aplicativo deve ser isento? Automóveis poluem o ar, sobrecarregam o trânsito, exigem manutenção das vias urbanas. Há um custo ambiental, econômico e social já que não se investe em transporte público de qualidade. Acho justo.

Por outro lado, é preciso tornar o serviço de táxi competitivo, diminuindo os impostos para que os taxistas possam enfrentar os novos tempos. A arrecadação municipal não cairia porque o que se perde de um lado, se ganha do outro. Capaz até de aumentar.

Minha resistência se dá pelo excelente atendimento que tenho do Rodrigo e do Ricardo, condutores do mesmo veículo, um de dia, outro à noite, que me servem desde que decidi não ter mais carro, há pelo menos sete anos. Costumo dizer que eles são meus motoristas particulares e que quando não estou utilizando seus serviços eu os libero para atender o público em geral. Pensa num serviço bom! Recomendo pra todo mundo. Viramos amigos.

Pois muito bem. Hoje pela manhã liguei pro Rodrigo solicitando que me levasse para fazer os tais exames  laboratoriais. Como sempre, ficou combinado que eu ligaria quando estivesse liberada. Foi o que fiz. – Ô, D. Norma, só que agora eu tô no Continente e vou demorar. A senhora pode esperar?  Em geral eu espero, mas hoje não dava. Acionei a Central de Táxi e dez minutos depois o táxi chegou. Dei a direção.

Me chamou a atenção o carro novo, limpíssimo, a música instrumental em um volume agradável, a velocidade civilizada, a manutenção de distância regular do carro da frente, o cuidado ao fazer as curvas e passar nos buracos e, principalmente a gentileza e a educação do condutor. – O ar está muito frio?Está ótimo, obrigada!  Eu pensei: – Táxi com qualidade de UBER! Esse não tem medo de concorrência, pois sabe das coisas!

Na chegada, ele se confundiu e passou do portão do meu prédio, nem dez metros, coisa pouca, parando no portão do prédio vizinho. Desculpou-se inúmeras vezes, queria dar a volta na quadra sem cobrar nada, o que, naturalmente, eu não aceitei. Paguei a corrida arredondando o troco, como sempre faço quando dá. E já ia abrindo a porta quando ele me mandou esperar a fila de carros passar: – Vou abrir a porta pra senhora!  Eu agradeci, disse que não precisava,  ele insistiu. Argumentei,  agradeci e abri a porta. Ele, então saiu-se com essa:

– Por que que mulher é tão teimosa? Ô bicho teimoso!

Na Sala de Espera do Laboratório

No corredor a vigilante me entregou a senha e a instrução de aguardar. Ao abrir a porta, um mundaréu de gente! Muitas pessoas sentadas e ainda mais gente em pé. Nem tive tempo de procurar uma parede para me escorar e liberou o primeiro assento da fila mais próxima. Semana começando bem.

Abri um livro certa de que a coisa ia demorar. Em seguida a pessoa ao lado foi chamada. Uma senhora de cabelo pintado de preto sentou. Trocamos aquele sorrisinho próprio das boas práticas sociais. E a moça chamando! Era um tal de senta e levanta de gente que ficou impossível me concentrar na leitura. Daí que, preocupada em não perder a vez, passei a prestar atenção nos nomes chamados.

Como costuma acontecer em consultórios médicos, clínicas e hospitais, muitos velhos, pessoas de nomes simples como se usava antigamente, alguns de nomes estrangeiros,  alguns exóticos e também os inusitados, sempre os há. – Maria Consoladora!

A mulher ao meu lado não se conteve. – Cada nome que as mães da gente botam nos filhos, né? Concordei, mas argumentei que, por mais que o filho não goste do próprio nome, é importante lembrar que, em geral, a pessoa escolhe o que acha mais bonito. Que nem a gente fez com nossos filhos. Se bem que tem uns que, às vezes, eu penso: – Onde é que essa mãe tava com a cabeça, Santo Deus???  Não mencionei isso, claro! Desatamos a prosear sobre o tema.

Falamos da enxurrada de nomes da moda numa mesma geração, dos nomes compostos, das combinações esdrúxulas, da verdadeira tragédia ortográfica dos nomes estrangeiros de grafia abrasileirada que exigem soletrar o nome da criança desde a Carteira de Vacinação até o atestado de óbito, dos nomes dos nossos filhos, os meus e os dela, lindos, por sinal, dos nomes dos netos e já estávamos enveredando para outro assunto quando a moça chamou o nome dela. Gravidez indesejada. Só pode!