O Espírito da Cidade

Embora se apresente como uma construção de natureza material, a cidade é uma das mais genuínas expressões da natureza humana. Nela se concentram todos os homens, todos os saberes, todos os ritos, toda a riqueza, toda a pobreza, todas as virtudes e também todas as misérias humanas. A cidade é também os seus problemas.

A cidade nasceu da identificação que reúne pessoas solidárias e, como bem disse Lewis Munford, inventa o vizinho, aquele que nos acode no momento de precisão e se alegra conosco nos momentos felizes. Esta união gera conforto, abundância e segurança aumentando as chances de sobrevivência do grupo.  A cidade atrai e fixa os homens num território, ordena e hierarquiza a sua ocupação e também o trabalho.

As intervenções das sucessivas gerações humanas ao longo da história ocorreram de modo progressivamente mais intenso e mais complexo o que, por um lado conferiu eficácia às cidades, mas por outro fez surgir a “cidade sem alma” de que nos falou Spengler.

Hoje as cidades vêm se transformando num espaço quase hostil onde acontecem trocas, porém cada vez menos convivência. Mas, é preciso lembrar, a cidade é, antes de tudo, o que fazemos dela. Paulo Mendes da Rocha alerta: “antes que a cidade enfeie, quem enfeia são as pessoas”.

Apesar disso, a cidade continua sendo essencialmente o lugar do encontro. É o espaço onde se concentra o conhecimento e se realiza a cultura, onde se aprende o convívio com a diversidade e o exercício da tolerância, onde se desenvolve a civilidade e a cidadania. É o cenário onde as pessoas vivem os retalhos de suas histórias particulares e assim vão tecendo, alinhavados que estamos uns aos outros, as histórias dos lugares.

Este blog é uma homenagem à ideia de “cidade”, uma das mais bem sucedidas criações humanas, à minha querida cidade e à cidade de cada um. Muito do que se lê aqui aconteceu, de fato, do jeito mesmo que é narrado; muito mistura realidade e fantasia. O resto é inventado. Mas, a considerar a vasta criatividade humana e as possibilidades que uma cidade oferece, tudo bem que podia ter acontecido…

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

One thought on “O Espírito da Cidade

  1. Norma, parabéns e seja bem vinda (detesto a nova forma benvinda) ao mundo dos blogs. Você é a cronista da cidade, da capital, da Ilha, então o seu blog é muito necessário.
    Um grande abraço do Amorim

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