Lotação

 Quando entraram no ônibus já não havia lugares vagos, de modo que o jeito foi acomodar-se pelo corredor apinhado de gente enfrentando as arrancadas e as freadas bruscas a cada parada do coletivo.

 A sobrinha ainda quis interpelar alguém para que cedesse o lugar à tia idosa, mas ela não permitiu, conformada com a falta de gentileza das pessoas.

 Os passageiros seguravam-se do jeito que podiam, os mais altos valendo-se dos pegadores superiores, os mais baixos, como elas, agarrando-se aos pegadores dos bancos. Uma multidão de braços e mãos disputando espaço nos canos ensebados do ônibus.

 De repente a jovem puxou a campainha e disse: “_Vem tia, vamos saltar…”. Ao que a senhora respondeu: “Ô Cêma! Eu quero tirar o meu braço daqui, mas não sei qual é…”

(baseado em fato real)

 

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