Lotação

 Quando entraram no ônibus já não havia lugares vagos, de modo que o jeito foi acomodar-se pelo corredor apinhado de gente enfrentando as arrancadas e as freadas bruscas a cada parada do coletivo.

 A sobrinha ainda quis interpelar alguém para que cedesse o lugar à tia idosa, mas ela não permitiu, conformada com a falta de gentileza das pessoas.

 Os passageiros seguravam-se do jeito que podiam, os mais altos valendo-se dos pegadores superiores, os mais baixos, como elas, agarrando-se aos pegadores dos bancos. Uma multidão de braços e mãos disputando espaço nos canos ensebados do ônibus.

 De repente a jovem puxou a campainha e disse: “_Vem tia, vamos saltar…”. Ao que a senhora respondeu: “Ô Cêma! Eu quero tirar o meu braço daqui, mas não sei qual é…”

(baseado em fato real)

 

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

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