Caixa Eletrônico

Último dia útil do mês. Atrapalhada, a mulher tentava conciliar a profusão de contas a pagar e sua visível inexperiência com caixas eletrônicos. Atrás dela, um casal de surdos-mudos conversava na linguagem dos sinais.

Enquanto a mulher se batia, o casal iniciou um caloroso debate sobre sei lá eu o quê. De repente ambos discordaram e passaram a brigar. Um interrompia o outro no meio da frase, cada qual tentando ganhar a discussão. Pareciam gritar tamanha a rapidez e amplitude dos gestos.

 O silêncio, quebrado pelo som hesitante das teclas do caixa eletrônico, foi-se tornando constrangedor já que não combinava com a cena. Eu, a terceira da fila, cada vez mais irritada com a demora da mulher e com aquele debate tão acalorado quão silencioso, pensei:

  _ Papo mais chato!

 

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

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