Cidades Espontâneas e Cidades Racionais

Centro de Florianópolis antes do Aterro da Baía Sul onde se vê o Miramar (E) o Hotel La Porta (C) e parte da Praça Fernando Machado onde ficavam estacionados os ônibus que conduziam aos bairros .

Foto: Acervo Bruxo (Fonte: Internet)

Além de espaços de convivência humana, as cidades antigas são também espaços de convivência entre as manifestações de uma cultura, uma historiografia a céu aberto escrita na cidade antiga com madeira, barro e pedra e na cidade contemporânea com argamassa, ferro e concreto. Expressão e registro dos valores estéticos, crenças, temores e esperanças humanas ao longo do tempo, a cidade é, sobretudo, memória.

 Mas, na verdade, é finado o tempo das cidades espontâneas, “acidentais” como as denomina Rodrigo Lopes. Ele diz: “O mundo de hoje exige a cidade intencional em que o futuro é pensado e construído de forma organizada, participativa e planejada”. Marías, cita Goitia, denomina de cidade racional aquela que é pensada e construída como um bloco, um conjunto unitário sem espaço para a intervenção do acaso. Em outras palavras, a cidade intencional é a “cidade ideal” do ponto de vista dos técnicos, projetada e construída sem a interferência da vontade dos citadinos, ou seja, sem uma “história”. Por isso mesmo é uma cidade de “arquitetura tediosa” (Zohar), sem excentricidades, nem surpresas. Spengler disse sobre elas:

 “São produtos artificiais, matemáticos, alheios à paisagem, rebentos de um prazer puramente intelectual na finalidade objetiva”.

 Danah Zohar propõe uma pertinente reflexão:

 “Quando, algum dia, as gerações futuras escavarem nossos arranha-céus de concreto e seus escombros de plástico e lata, suas cortinas de poliéster e tergal, o que conseguirão descobrir sobre as pessoas que viveram ali? O que sobrará das pessoas silenciosamente desesperadas que habitavam as filas de unidades habitacionais idênticas, construídas ao longo de ruas idênticas, sem personalidade? O que esses artefatos refletem da vida de seus proprietários, seus amores, labores e opiniões?”.

 

Leituras de referência para este texto:

Goitia, Fernando Chueca. Breve História do Urbanismo. 4ª ed. Lisboa. Editorial Presença, LDA, 1996.

 Lopes, Rodrigo. A Cidade Intencional. O Planejamento Estratégico de Cidades. Rio de Janeiro. Mauad, 1998.

 Spengler, Oswald. A Decadência do Ocidente. Rio de Janeiro. Zahar, 1973.

 Zohar, Danah. O Ser Quântico. Uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência. São Paulo. Best Seller, 1990.

 

 

 

 

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

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