O Fim do Velho Trapiche

Visão lateral do pavilhão do Miramar vendo-se em primeiro plano o que restava do mar em 1972. Foto do acervo de Gilberto Silveira. Fonte: internet

“ À pergunta: Por que a construção de Tecla prolonga-se por tanto tempo?

– Para que não comece a destruição”.

(Calvino)

Com a popularização do uso dos “carros de praça” e do transporte coletivo – os primeiros ônibus apareceram em 1927, com a Empresa de Ônibus Florianópolis Ltda de propriedade dos Irmãos Atherino” -, a solução na travessia de pessoas e gêneros entre  a Ilha e o Continente foi gradativamente transferida para a Ponte Hercílio Luz.

Inaugurado apenas um ano após a implantação do sistema de transporte coletivo e dois anos após a inauguração da Ponte Hercílio Luz, o Miramar representava a solução antiga e a Ponte a solução moderna para o mesmo problema. Daí que o Miramar já nasceu condenado a perder a sua função original. Por isso, ao longo dos anos, o Miramar virou um terminal rodoviário, uma estrutura que oferecia bar e restaurante aos seus frequentadores. Pouco antes da demolição foi teatro. O Teatro Trapiche. Mas nada disso conseguiu impedir sua condenação e nenhuma alternativa foi pensada para evitar sua demolição. Ao contrário.

Enquanto a Draga Sergipe seguia expulsando o mar para cada vez mais longe, o aterro se transformava num imenso estacionamento, prenúncio do que viria a acontecer na Ilha hoje paralisada pelo excesso de automóveis. Abandonado, o Miramar foi invadido por desocupados, moradores de rua e drogados dando à opinião pública a justificativa do medo e da falta de segurança para avalizar a sua remoção definitiva. A necessidade de construir os acessos à Ponte Colombo Salles oferecia a desculpa técnica. Ponto para o discurso desenvolvimentista.

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

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