Nem Tanto Ao Mar

O doutor tinha fama de ser rigoroso para dar atestado. Orgulhava-se de não dar moleza para gente esperta que emendava feriado por conta própria ou que ia pro Paraguai comprar coisa falsificada, a fim de reforçar o orçamento e depois dizia lá no serviço que ficou doente. Também não aliviava para estudante com preguiça de fazer educação física ou trabalhador enfarado com o ofício desestimulante. Isso, até aquele dia.

 O homem, um sujeito pardo, alto e forte, os bíceps mal cabendo dentro da camisa de mangas curtas, sentou-se, silencioso. O doutor perguntou: – E então? Qual o seu problema? Ele, num tom muito baixo, muito tranquilo, respondeu: – O prolema é que eu tô cumprindo pena na Penitenciária e saí com o induto de Natal, mas não voltei até hoje. Isso era 31 de janeiro. O doutor perguntou: – E qual foi o seu crime? E ele: – Eu matei um homem. E o doutor: – De quantos dias o “senhor” precisa?

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