Minha Bisavó Virou Borboleta!

(Quando eu conto essa história, a pessoa faz cara de “Não discorda que ela pode ser violenta!”)

Parece mentira, mas é sério. As mulheres da família faziam os doces para a minha festa de quinze anos quando a minha irmã, que na época tinha sete, olhou para a Vó de Laguna e, talvez, se dando conta da ordem natural das coisas, afinal a Bisavó já tinha noventa anos, disse: – Vó, será que a senhora vem ao meu aniversário de quinze anos? Ela respondeu: – Mas é claro, querida! A vó vem nem que seja como borboleta!  Morreu dois anos depois.

Reunidas, as mulheres da família faziam os doces para a festa de quinze anos da minha irmã quando, de repente, uma delas parou de falar e apontou a parede. Um silêncio emocionado tomou conta da cozinha. Lá estava ela, a enorme borboleta. Desconhecendo a promessa, meu pai pegou um pano de louça para espantá-la e, coitado, quase foi trucidado por um bando de mulheres ensandecidas.

São inúmeros os exemplos, vou contar mais um. Em 2003 estávamos eu, meus filhos e meus pais conversando na sala da sua casa, quando de repente meu pai olhou para o teto e disse: – Ô D. Aurelina! O que é que a senhora está fazendo aí em cima? Uma enorme borboleta negra manchada de rosa estava pousada no lustre da sala. Desatamos a rir!  – Esse pai! Meu pai acreditava nessas coisas, mas era, antes de tudo, um piadista.

No dia seguinte nos chegou a notícia do nascimento do Eduardo, meu querido, lindo e inteligente sobrinho-neto, o primeiro bisneto dos meus pais. Era esperado para maio, mas resolveu nascer em fevereiro, aos seis meses. Ficou na Maternidade até ficar prontinho e durante esse tempo vivemos um misto de felicidade e preocupação, mas sempre que a angústia apertava a gente lembrava que nunca estamos sozinhos. Afinal, não é qualquer um que tem uma Vó de Laguna como embaixadora para assuntos de natureza insólita.borboleta preta com azul

Foto: capturada na internet

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11 comentários sobre “Minha Bisavó Virou Borboleta!

  1. Pingback: Encontro 7 – Estudo – Escrita Criativa | bocadeleao

  2. Pingback: Encontro 7 – Estudo – 28 de junho de 2016 | bocadeleao

  3. Evandro Jair Duarte

    Norma! Teu texto é muito bom de ler. Que história hein? Fiquei arrepiado com a presença na festa. Uma lágrima escorreu é claro. Danadinha. Que linda!

  4. Pingback: Encontro 5 – Norma Bruno – 7 de junho de 2016 | bocadeleao

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