Histórias de Encantado: O Imperioso Desejo do Senhor Jesus dos Passos

Procissão do Senhor Jesus dos Passos.  Foto: Carlos Amorim

Ainda que tu não acredites nessas histórias de encantado, eu vou te ser sincera: pior que é! Pois se até o Senhor dos Passos que tava indo pro Rio Grande se encantou de morar aqui e, no que inventaram de fazer uma parada pra abastecer o navio, se valeu da ventania como desculpa? Dizem os antigos que, cada vez que o navio se preparava para sair, Ele assoprava uma ventania tão forte, mas tão forte, que o navio não conseguia passar da barra e tinha que voltar pra trás. Foi assim por três vezes até que o povo da aldeia entendeu: Nosso Senhor queria é fincar morada por aqui. E assim foi: – Seja feita a Vossa vontade!

A recém teve aquele incêndio do Hospital de Caridade; pois não é que o fogo começou exatamente ao lado da Capela e atingiu o prédio pela parte de trás e foi queimando tudo e rodeou direitinho o altar de madeira onde estava o Senhor dos Passos sem queimar nem o altar nem a imagem do Santo? Essa ninguém me contou, nega, essa eu vi, com meus próprios olhos. Agora explica!

Soube, pelo meu pai, que o vô Manoel, pai dele, que morava no sopé da ladeira do Caridade, pertencia à Irmandade do Senhor dos Passos e, sendo um marceneiro de mão cheia, meu avô era o restaurador dos altares das antigas igrejas da Ilha, a Igreja de São Francisco, a Igreja do Rosário e a Capela do Menino Deus. Segundo meu pai, por volta de 1945, meu avô foi encarregado de fazer uma nova cruz para o Senhor dos Passos, pois algo acontecera com a original. Segundo ele, é essa cruz que está, até hoje, nos ombros do Filho de Deus. Fiquei orgulhosa!

* O motivo do Senhor dos Passos ser tão amado, além do fato de ser milagroso, é que Ele simpatizou com a nossa cidade e, antes mesmo que a gente gostasse Dele, foi Ele que gostou de nós.

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

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