Dos Incontáveis Motivos para Agradecer por Ter Nascido nesta Ilha Abençoada

A Ponte Hercílio Luz, o Senhor dos Passos, o casario, a gente nativa e seu modo peculiar de pensar, de agir e de falar, as “estórias de encantado”, a renda de bilro, a culinária, o mar, o milagre das tainhas, as dunas, o mangue, os morros; dentre os incontáveis motivos que tenho para agradecer a Deus por ter nascido nesta Ilha abençoada, um lugar de destaque cabe à música Rancho de Amor à Ilha, Hino Oficial de Florianópolis.

Tive o privilégio de conhecer e, de certa forma, conviver com o seu compositor, Zininho. Vizinhos no Largo Treze de Maio quando meninos, meu pai e Zininho tornaram-se colegas de trabalho na Rádio Diário da Manhã, ele à frente dos microfones como cantor e radioator e meu pai à frente dos equipamentos como técnico em eletrônica. Por conta disso, volta e meia, lá vinha ele com um gravador para o meu pai consertar em suas raras horas vagas.

Eu olhava para aquele homem com reverência, ele era artista de rádio, conhecia todas as suas músicas, pois ouvíamos muito rádio naquela época; além disso, minha mãe trabalhava cantando e vez em quando cantava as músicas do Zininho, especialmente “A Rosa e o Jasmim”, de que ela gostava. Eu ficava por perto tentando ouvir algum fio da conversa entre ele e meu pai, tinha vontade de lhe dizer que gostava muito das suas músicas, mas não tinha coragem.

Certo dia, o Zininho estava em nossa cozinha conversando com meus pais quando minha irmã entrou correndo. – Volta aqui, minha filha! Dá bom dia pra visita! – Bom dia, disse ela, apressada. Devia ter uns sete, oito anos. Minha mãe a segurou pelo braço: – Rosane, tu conheces aquela música que diz assim ó: “- Um pedacinho de terr...” Nem terminou a frase. – Ui, mãe! Para, para! Eu odeio essa música! E saiu correndo porta afora! Meus pais não sabiam onde se enfiar. Foi quando eu criei coragem e disse: Eu adoro essa música!

Continuo gostando. Um gostar daquele tipo que a pessoa se arrepia e chora quando ouve. Mas, vê se eu não tenho razão!

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Rancho de Amor à Ilha

Um pedacinho de terra,

Perdido no mar!

Num pedacinho de terra,

beleza sem par…

Jamais a natureza

reuniu tanta beleza,

jamais algum poeta

teve tanto para cantar!

Num pedacinho de terra

belezas sem par!

Ilha da moça faceira,

da velha rendeira tradicional,

Ilha da velha Figueira

onde em tarde fagueira

vou ler meu jornal.

Tua lagoa formosa

ternura de rosa

poema ao luar,

cristal onde a lua vaidosa

sestrosa, dengosa

vem se espelhar.

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

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