Bordejando

Ontem, sábado, voltei a bordejar pelo centro da cidade, coisa que não fazia faz tempo. A ideia era assistir o recital em homenagem ao Cruz e Sousa, visitar o Presépio da Praça XV e depois flanar, sem rumo.

Ao chegar ao Palácio, percebi meu atraso. Com a compreensão do Poeta – foi o ônibus – segui rumo à Praça XV para ver o Presépio deste ano. Lindo! Ousado! O Presépio deste ano é todo em preto, branco e tons terrosos, naturais. Passando os olhos, admirando os precisos detalhes, a constatação: cadêle o Menino Jesus?

O moço da barraquinha de artesanato localizada bem em frente ao Presépio, me contou que, ao chegar, por volta das seis e meia da manhã, já encontrou o presépio danificado. Segundo ele, haviam roubado a cabeça do Menino Jesus; em seu lugar, colocaram uma Bíblia e, sobre ela, um sabugo de milho, como relatei em post anterior. – Estava muito pior, eu tentei dar uma arrumadinha pro Presépio não ficar feio!

Presépio da Praça XV – panorâmica

O som de um berimbau distraiu meus pensamentos. Vinha da escadaria da Catedral. Um aglomerado de gente à direita formava uma roda de capoeira. À esquerda, um grupo de jovens descia a escadaria.  Pensei: – É  pra lá que eu vou.

Roda de capoeira é coisa linda! Sou fascinada! Sempre tentei convencer meus filhos a honrarem suas raízes, mas quem diz? O neto, talvez?

Maestria!

Os jogadores demonstravam toda sua maestria. O ritmo da cantoria era contagiante e, em certo momento, fomos convidados a participar marcando o ritmo na palma da mão. Vontade de entrar na roda!

A Roda 

Com a intenção de fotografar a belíssima escultura que retrata Nossa Senhora do Desterro na Fuga do Egito, subi a escadaria da Catedral dirigindo-me à porta lateral que estava aberta, já que o portal não. Pisei com cuidado no calçamento molhado, o cheiro de água sanitária misturado ao de urina denunciava o propósito da lavação. Ouvi alguém chamar. Segui em frente, pois não era comigo. A voz insistia. Certamente não era comigo. A voz ficou mais próxima. Era comigo.

–      Senhora!!! Senhora!!!! Não pode entrar! A igreja está fechada!

–      Como fechada? A porta lateral está aberta!

–   Está aberta só pra limpeza. Não pode entrar! Só vai abrir às quatro horas da tarde!

–      Mas, hoje é sábado… E esse monte de turista querendo conhecer a Catedral?

–      É a ordem!

–      É um absurdo! Uma cidade que se diz turística!

–      Turista  faz muita sujeira, senhora!

–     (?) Além do mais, é ou não é a casa de Deus? Se for, tem que estar sempre aberta! Apelei.

–      É senhora, mas nem todo mundo que entra é bom!

Fui-me embora. O que mais eu poderia dizer?

Se é verdade que uma imagem vale mais do que mil palavras…
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