Occupy Ribeirão

Ribeirão da Ilha, minha aldeia
Ribeirão da Ilha, minha aldeia

Acordei às seis. Saí às oito. Peguei três ônibus. Cheguei às dez. Uma verdadeira maratona para chegar ao Ribeirão da Ilha, local escolhido para o bordejo da semana.

A desculpa era prestigiar o Festival da Ostra, bela iniciativa para evitar o prejuízo dos maricultores e salvar uma tradição da Ilha de Santa Catarina. Antes, um passeio na Freguesia do Ribeirão da Ilha para bordejar, encher os olhos de beleza e de cultura. Depois cair de boca nas ostras.

Sou completamente apaixonada por aquela Freguesia. O casario tão singelo, sua praiazinha de águas calmas, aquele ritmo de vida tranquilo e, especialmente, a simpatia dos seus moradores. Aqui pra nós, aquela gente tem um costume muito estranho. Eles dizem: – Bom dia! Boa tarde! -,  aos estranhos, na maior sem cerimônia! E o “pior”: olhando nos olhos! (Como diz o povo: – Tem que ver isso aí!). No Ribeirão, tudo me remete a uma Florianópolis conhecida por poucos. Nesses tempos conectados, moraria naquelas bandas com muita alegria. Um dia, quem sabe?

A intenção era chegar cedo, caminhar pela ruazinha ainda deserta e observar os moradores abrindo as janelas das casas, saindo para comprar pão, vivendo em seu ritmo próprio, costumeiro, antes que o alvoroço se instalasse com a abertura dos restaurantes. A realidade: além das diversas baldeações nos Terminais de Integração – TITRI/TILAG/TIRIO -, aos sábados os horários dos ônibus são reduzidos.  Sorte que  a paisagem compensa.

Saltei do ônibus em frente ao largo da Igreja de Nossa Senhora da Lapa na intenção de visitá-la, esquecendo que ela  está em restauração. Que pena! Saí contando os passos, ouvindo o ressoar do meu salto pelas calçadas estreitas,  tal o silêncio. Só então me dei conta do nível de poluição sonora a que somos submetidos, nos submetemos, normalmente. Usufruir o silêncio. Coisa rara.

Um cachorro pachorrento veio em minha direção e, apesar de não parecer hostil, fiquei atenta. Tenho o maior “respeito” por cachorros. Ele me cheirou, assim, meio de longe, e saiu, desinteressado. Já que ninguém estava vendo, aproveitei para observar as casas, espiar dentro dos muros, os jardins.

Na pracinha existente à beira do mar, um grupo de homens proseava. Cumprimentaram-me com um sonoro e ensaiado – Bom dia, senhora!,  todos juntos.  Segui em busca  do café. O nome é TENS TEMPO, uma expressão muito própria dos nativos. Pois dei de cara na porta.  A placa avisa que o horário de funcionamento é de meio-dia às… Nem terminei de ler. Sacanagem!

Sem alternativa, dei início à Operação Livros Perdidos e Achados, “perdendo” um exemplar dentro do pilão que integra o conjunto de esculturas em frente ao Café. Feito o registro, caminhei novamente em direção à pracinha e, certificando-me de que não era observada, “perdi” mais um exemplar sobre um banco de madeira à beira do mar, sob a sombra de uma árvore.  Um delicioso convite à leitura.

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