Cenas Urbanas: Suculentas

Suculentas
Suculentas

À espera do ônibus, eu o vi. Sentado num banco do outro lado da praça, um jovem bem vestido rodeado por duas grandes malas, também esperava. Talvez uma carona. Talvez uma saída. Ao lado, um vaso de suculentas de aparência tão desprotegida quanto ele. No colo, sobre a mochila, uma solitária orquídea branca, fresca, cuja embalagem, de festa, não combinava com o seu olhar desolado. Os braços frouxos, abraçados à mochila, contrastavam com a delicadeza da orquídea e, juntos, suculentas, braços e orquídea, contavam histórias de vulnerabilidades.

Trecho da crônica A Vida (Fácil) do Cronista. Do livro Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012.

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