A Velha Esmoleira, o Morador de Rua e Eu

No meio do caminho havia um supermercado. Havia um supermercado no caminho. Daí que entrei para comprar umas coisinhas já que a moça da repartição me lançou a clássica pergunta: – A senhora tem alguma “volta” pra fazer no centro?, conhecida metáfora para “Senta que vai demorar!”.

Na porta do supermercado uma senhorinha, velha conhecida dos que caminham pela cidade, olhar desolado, voz baixa, mão estendida, traje e postura própria dos mendigos, pedia um adjutório. Eu não tinha trocado, daria a esmola após pagar minha compra.

Na saída, uma pequena concentração de carrinhos e pessoas na porta do estabelecimento, não a vi. Avistei um jovem de cabeça raspada, roupas sujas e pé descalço, escarafunchando uma lixeira. Pensei em oferecer o dinheiro para ele, já que a senhora sumira. Ao me aproximar, percebi que ela, franzina, conversava com o moço, encoberta pela aglomeração. Esperando o fim do diálogo a um passo de distância, vi que entregou um pacote ao jovem e voltou ao seu posto. Ela me viu. E disse: – É comida. Eu ganhei um prato feito de uma mulher que saiu daquele restaurante, apontou. Eu já enchi minha barriga, apontou para si mesma. Sobrou comida, então eu dei pra ele. A gente tem que dividir o que tem, né? Eu disse:- É!

O que vejo da janela do ônibus.

O que vejo da janela do ônibus: em algum lugar desta linda paisagem há um mendigo, um morador de rua…

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

2 thoughts on “A Velha Esmoleira, o Morador de Rua e Eu

  1. É assim. Levamos um “rancho” a uma senhora necessirada, moradora de uma casinha de madeira meio renga, envolta em uma norma poça d’água, Quando entregamos as compras ela chamosu alguns vizinhos na mesma condição e começou a repartir,

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