Cidade Humanizada, um Projeto de Todos ou Nada Feito


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(João Antônio sendo apresentado à sua árvore!)

Há exatamente um ano, ao lançar um novo livro, decidi decorar o salão do Museu Histórico, no Palácio Cruz e Sousa, com árvores, em vez de flores. João Antônio, meu primeiro neto, chegaria em alguns meses e, como bem sabemos, criança combina com árvore. Comprei, então, duas belas arvorezinhas de cerca de setenta centímetros, uma ameixeira e uma jabuticabeira que, após o evento, seriam plantadas num terreno baldio que existe ao lado do meu prédio para acompanhar o crescimento do João Antônio. A ameixeira foi replantada, mas a jabuticabeira instalou-se num cantinho especial da minha varanda e não quis mais sair de lá. Assim seja! Quando o menino nasceu, enterrei o seu umbigo no vaso, junto à jabuticabeira, repetindo o gesto da minha bisavó. Com cuidado, carinho e boa adubação, as duas arvorezinhas estão crescendo faceiras e viçosas!

Hoje, amanheci o dia com um vozerio no terreno ao lado e um entra e sai de caminhão. Eram operários descarregando maquinários e ferramentas para instalar uma “academia ao ar livre” como tantas que vêm sendo implantadas nas praças e terrenos baldios da nossa cidade, como parte do esforço da atual gestão para torná-la mais humana e amigável. A instalação atende uma reivindicação da vizinhança e já estava programada.

Pedi que tivessem cuidado, pois um carro de apoio estava estacionado a meio metro de distância da arvorezinha. Passei o dia em alerta, preocupada com o entra e sai do caminhão que despejava areia e brita. Num dado momento, fui ao quarto me arrumar, precisava sair e, ao retornar à varanda, o susto: a ameixeira havia simplesmente desaparecido. Em seu lugar havia uma montanha de areia. Foi de propósito! Desci, indignada, apontando tamanha insensatez! Os caras se espalhando, tipo “não é comigo!”, então vi um sujeito com jeitão de chefe e parti pra cima. Perguntei se era o responsável – imagina se era! Ele nem me olhou, minimizou o erro dizendo que aquilo não ia estragar a árvore.  Como não? Com o peso, a arvorezinha pendeu para o lado, totalmente coberta de poeira. Prometeu que tirariam a areia imediatamente. Realmente, enquanto conversávamos, um deles começou a escavar. Eram quinze horas e eu segui para o meu compromisso, pois estava atrasada. Voltei às dezenove e trinta. A pequena árvore continua soterrada.

Humanizar a cidade não depende apenas do prefeito, nem de seus assessores. Ou se torna tarefa de cada um de nós ou nada feito!

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8 comentários sobre “Cidade Humanizada, um Projeto de Todos ou Nada Feito

    1. Sim, Clarice! A arvorezinha é valente! No momento os aparelhos ainda não foram instalados, mas em breve o movimento começa, o que é muito bom, pois de vez em quando apareciam pessoas interessadas no terreno, apesar de ele ser pequeno e de ser declarado área verde do loteamento. Sabe como são as empreiteiras,se deixar,em qualquer terreninho 3×4 elas colocam um prédio! Mas, se depender de briga, o João Antônio continua “proprietário” de uma linda ameixeira. Abraço forte!

      1. Ok, Norma !
        É muito bacana saber que tem gente atenta e disposta a garantir a sobrevivência plena de árvores, e conhecer ‘árvores de estimação’ dá um sentimento bom, reconfortante !
        :~)

      2. Aprendi com meus pais. Quando os netos eram pequenos, eles plantaram junto com as crianças uma árvore para cada um. Foi a festa! Coisa mais linda ver cada um com a “sua” mudinha escolhendo lugar para plantar a “sua” árvore. Eles cuidavam, regavam e mediam a sua altura na árvore. Era muito legal chegar no quintal e ver a árvore da Nina (minha filha), do João Paulo (meu filho do meio), da Maria Júlia (minha sobrinha), do Guilherme (sobrinho) e a do João Felipe (meu caçula. O quintal ficou encantado! Abç

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