Visões

Foto: Carlos Amorim
Foto: Carlos Amorim

Trago comigo a visão do chão onde nunca vivi
E até sinto o cheiro da terra nas tardes de chuva
Vejo o grande rio e seus barcos
Passo por cada rua e olho as cores do casario
Minha casa e o quintal
Os lençóis estendidos ao vento
Tremulando no céu azul
Acenando como velas no porto
Ouço as vozes e o falar do povo
Vejo os rostos de todos os que passaram pelo meu olhar
Vejo as crianças a correr pelas ladeiras
Vejo o tempo, vejo o mar
O cantar das lavadeiras na fonte
O riso dos pescadores nos bares
O cheiro do peixe no cais
Como era bom, meu Deus, o meu lugar
Aquela terra, aquele chão
Que abandonei obrigado
Sem nunca lá ter estado
Mas que de lá, exilado,
Para sempre fui levado
Nunca podendo voltar
É a terra a qual minha alma pertence
É meu chão e minha gente
É tudo o que fui em um tempo distante
Mas que sei, com certeza, que é a minha terra
E por onde eu andar
Nas viagens que o tempo me der
Sempre hei de levar
As visões daquele lugar

Roney Prazeres
Ilha de Santa Catarina, Brasil.
27/04/2015

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