Uma Saia Imensa, Arredondada

Em honra dos ancestrais que contavam, que contam, Estórias: DSC04842Marcela esteve nas neves do Norte. Em Oslo, uma noite, conheceu uma mulher que canta e conta. Entre canção e canção, essa mulher conta boas histórias, e as conta espiando papeizinhos, como quem lê a sorte de soslaio.

Essa mulher de Oslo veste uma saia imensa, toda cheia de bolsinhos. Dos bolsos vai tirando papeizinhos, um por um, e em cada papelzinho há uma boa história para ser contada, uma história de fundação e fundamento. E em cada  história há gente que quer tornar a viver por arte de bruxaria. E assim ela vai ressuscitando  os esquecidos e os mortos; e das profundidades desta saia vão brotando as andanças e os amores do bicho humano, que vai vivendo, que dizendo vai.

Eduardo Galeano

A Paixão de Dizer/1  

O Livro dos Abraços

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