Vento Sul

A beleza da Ilha é mansa como uma marinha de Pancetti, mas um arrastão dos elementos pode torná-la de uma hora para outra selvagem e expressiva como um filme de David Lean.

O vento sul é um ilhéu típico, que fala chiado e que, ao contrário dos magos de ocasião, consegue facilmente entortar árvores e encrespar oceanos. Foi conversando com esse ilhéu que Cruz e Sousa empinou o seu verso simbolista e achou raras onomatopeias para descrevê-lo:

Tu que penetras velhas portas,

Atravessando por frinchas…

E sopras, zargunchas, guinchas,

Nas ermas aldeias mortas.

Nada o detém quando ele bufa e escoiceia, no que há de ser a farra eólica do tempo. Ele se transforma então no vagabundo que rosna sonolento, leva longe o seu lamento, mas sua ferocidade é efêmera. E inócua. Se tanto, desmancha os cabelos da figueira, ou adianta o relógio da Catedral, que nesses dias perde a sua orgulhosa exatidão de Big-Ben.

Sérgio da Costa Ramos

A Ilha é Mulher.

Pç XV Velha Árvore

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s