Sobre o Direito ao Sossego, ao Vazio e ao Silêncio

Um sábado desses, só que ensolarado, na ruazinha que fica perto da minha rua, encontrei o fotógrafo Rudi Bodanese, meu vizinho de cima, que, àquela hora levava sua pinscher, Tiquinha, para passear. – Bom dia! – Bom dia! Aí, levando a fera pra dar uma voltinha? Eu e aquela perguntinha infame. Ele, profundo: – Aproveitando a hora calma do dia. Não tem barulho! Depois fica impossível! Eu concordei, trocamos mais algumas palavras e fomos cada um pro seu lado.

Não saí imune. Também sinto um enorme desconforto com os rumos e os ruídos da nossa cidade. E do mundo. E da vida. Diz o Rudi que, não sei quando, fez um curso de Filosofia onde se discutiu exatamente esse tema, o Silêncio, e que a professora teria dito que todos nós gostamos de usufruir dessa harmonia, dessa sensação agradável proporcionada pelo silêncio, mas que é “na aspereza do convívio que a evolução se faz”.  Tudo bem. Já vivi o suficiente para essa compreensão. O problema está em que o mundo anda pleno de asperezas e carente do contraponto: o sossego, o vazio, o silêncio . Coisas desse mundo empanturrado de gente. E de brutalidade.

Foto: Fátima Barreto
Foto: Fátima Barreto
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2 comentários sobre “Sobre o Direito ao Sossego, ao Vazio e ao Silêncio

  1. Lourival Amorim

    Não posso reclamar… a não ser pelos Quero-Queros que vez por outra “endoidam” e iniciam uma gritaria,,,

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