As Portas

A porta é todo um cosmos do Entreaberto. É no mínimo uma imagem-princeps dele, a própria origem de um devaneio onde se acumulam desejos e tentações, a tentação de abrir o ser no seu âmago, o desejo de conquistar todos os seres reticentes. A porta esquematiza duas possibilidades fortes, que classificam claramente dois tipos de devaneio. Às vezes ela está bem fechada, aferrolhada, fechada com cadeado. Outras vezes está aberta, isto é, escancarada.

Mas chegam as horas de maior sensibilidade imaginante (…) E tantas portas já foram as da hesitação! (…) Como tudo se torna concreto no mundo de uma alma quando um objeto, quando uma simples porta vem proporcionar as imagens da hesitação, da tentação, do desejo, da segurança, da livre acolhida, do respeito! Narraríamos toda nossa vida se fizéssemos a narrativa de todas as portas que já fechamos, que abrimos, de todas as portas que gostaríamos de reabrir.

Gaston Bachelard

A Poética do Espaço

Foto e graffiti de Thiago Furtado - Valdivaldi
Foto e graffiti de Thiago Furtado – Valdivaldi
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4 comentários sobre “As Portas

  1. aportaremos

    com nossas bagagens

    imaginárias, intransferíveis

    porta-bandeiras sonhadas

    borboleteando além

    das comportas contingenciais…

    descansaremos compartilhando

    portos de ternura bem simples

    sem palavras desalmadas

    aportaremos…

    – Clarice Villac
    16.07.2015,
    para foto de Norma Bruno & texto de Gaston Bachelard,

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