Sarau: Poesia em Pedaços

 

tipografia em madeira de demolição

O Quintana diz que já está na plataforma só esperando o “Trem de Belém”.

O Vinícius, que não é bobo, garantiu dois ingressos: um pra ele, outro para sua amada. Diz ele que essa é a derradeira, porque “resta um raio de luz quando ela passa” (o povo esperando ver pra crer).

A Adélia deixou pra “limpar os peixes” mais tarde, botou seu “vestido estampado em fundo preto”, e assegura que não perde o Sarau por nada desse mundo!  Que vai trazer o “Jonathan”.

O Manuelito diz que está só finalizando umas “coisas desimportantes” à beira da sua “cobra de vidro” e chega já. Que é pra ir começando.

O Gullar alerta que é melhor aproveitar que a Poesia é de graça, ao contrário do “pão que tá caro”. O Manoel, obstinado, tomou posse da Fratelanza e afixou lá uma Bandeira onde se lê: “Pasárgada”.

O Leminski saiu de casa hoje, bem cedo, pois, como se sabe, “caminha assim de lado”, coitado, com sua dorida elegância. Foi autorizado a chegar atrasado, ele que já está “mais adiante”.

O Drummond vem afiado, pronto para o embate, pois sabe que a Poesia se aprende é no exercício do fazer, que nem o amar que só “se aprende amando”.

A Cecília, com seus olhos cor de água, anuncia que, de novo,  vai aproveitar para “reinventar a Vida”, poder inalienável da Poesia.

O Neruda, sempre dramático, roga: “Tirem-me o pão!”, mas não me deixem fora disso!

O Mário de Andrade, afetado, avisa que chegará com a “escurez”. Periga dar de cara com a Clarice que avisa que chegará à exata “Hora da Estrela”.

O Fernando, que só vem  em comitiva, confirma a presença e logo desliga, atrapalhado que está com a lista de Pessoas.

É bom mesmo que venham todos, pois assim como “Um galo sozinho não tece uma manhã”, como bem diz o João Cabral de Mello Neto, um poeta sozinho não entretece uma “rede de estrelas” de  bom tamanho para uma noitada de Poesia.

Vais ter coragem de faltar a esse encontro?

 

*Imagem capturada na Internet

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About Norma Bruno

Vivo na Ilha de Santa Catarina desde que nasci. Sou de aquário, portanto já nasci aluada, mas contraditoriamente, não me dou bem com tecnologia e gosto mesmo é de coisa velha. Fiz muitas coisas, deixei para trás outras tantas, tenho muito por fazer. Coleciono cenas urbanas, rendas de bilro e revistas antigas. Escritora amadora em todos os sentidos, invento coisas, conto histórias. Livros publicados: - Prosa, quase Poesia - ou vice-verso - Tempo Editorial. 2015 - Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. 2012 - A Minha Aldeia Editora Papa-Livros. 2004. - Leia Crônicas da Desterro no site www.carosouvintes.org.br

2 thoughts on “Sarau: Poesia em Pedaços

  1. Estimada,
    É verdade verdadeira: o essencial é tão simples, tão leve, tão suave, tão bonito que parece se perder nas entre-cores do arco-íris imaginário que brinca comigo lá no céu brilhante da tarde que chega, vence a noite e desperta com os primeiros cantos de um galo ainda solitário, mas que um dia também vai ser feliz.

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