Ao Vento Retornarás!

Aos que me amam, declaro:

Quando eu morrer, doem tudo o que possa ser reaproveitado. Deve sobrar pouca coisa, dada a minha pouca estatura, mas, o que sobrar, lancem ao fogo (peço apenas que se certifiquem de que morri mesmo, por gentileza). Minhas cinzas lancem-nas, se possível, de cima da Ponte Hercílio Luz em dia de Vento Sul (sempre tive atração pelas narrativas de gente que enlouquece e se “joga da Ponte”).  Se puderem, digam as seguintes palavras:

Vai, Norma Bruno, volta pra Casa!

Estarei bem, eu que sempre vivi a três palmos do chão.

p1020215-forte-santana-e-ponte-velha-amorim

P.S.: melhor verificarem para que lado sopra o vento, pois correm o risco de me trazerem de volta pra casa. Nos cabelos. (Aviso: eu vou morrer de rir!).

Do livro Prosa Quase Poesia – ou vice-verso. Tempo Editorial, 2015

Foto: Carlos Amorim

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