Horizonte – Um Ponto Final no Mar

A visão que tenho do ponto final do mar
Na distância que não posso medir
É a noção que tenho do horizonteMesmo não sabendo o que lá existe
Fixo o meu olhar em um ponto distante
Na esperança de ver o que há de vir

Meu horizonte é todo feito de mar
De velas ao longe
De barcos e portos que não conheço

Meu horizonte é repleto de lonjuras
De viagens que se demoram
De desejos de chegada

Meu horizonte é ponto de saudade na distância
É o encontro de todos os oceanos
É porto de chegada de todos os navegantes

Meu horizonte é feito do desejo
De navegar na direção de um lugar
Guardado no outro lado do mar

Roney Prazeres

Ilha de Santa Catarina
Setembro2017

Foto Morro das Pedras Roney Prazeres

Foto: Roney Prazeres. Local: Morro das Pedras. Sul da Ilha de Santa Catarina

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Banzo

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De súbito, um improvável cheiro de maresia invade a caixa de concreto que me acondiciona. Dada a banzos, minha alma pede: – MAR! MAR!

*inspirada no belo poema de Roney Prazeres que postarei a seguir

 

 *o moço bonito é meu. Eu que fiz. Dado a banzos também!

Causa Mortis

Poesia de Gaveta

Toda criança é literária. Lembro de mim, dos filhos, vejo o neto. Todo adolescente é poeta. Basta apaixonar-se por primeira vez que o poeta acorda e o jovem fica repentinamente dado ao devaneio, propenso a pores do Sol, à música e à Poesia. Em um ponto impreciso entre a mocidade e a vida adulta, no entretanto, alguma coisa acontece e o índice de poetas cai vertiginosamente na população ativa.  Em nome do bom senso, da normalidade ou do Produto Interno Bruto, o que for, poemas são abandonados em gavetas entulhadas, livros empoeirados e bolsos de antigos paletós. Os poetas são então caçados, marcados a ferro e encarcerados. _ Mais seguro, dizem.

Alguns ainda se rebelam e, de quando em quando, provocam estranhas reações a furtivas lembranças, músicas e lugares com os parcos recursos de que dispõem: inexplicáveis lágrimas, crises de taquicardia e súbitos arrepios corporais.  Pessoas prudentes reagem e passam a evitar correntes de ar, tomam um antigripal, marcam hora no cardiologista.

Aos poucos as vozes internas aquietam-se e os poetas caminham resignados para os desvãos da alma. Por fim, atam-se a si mesmos aos ferros. A maioria morre de inanição. Outros cometem suicídio. Poucos sobrevivem. Desses, raros ousam rebelar-se na maturidade e, tomados de urgência, desandam a serrar grades com os dentes e a cavar túneis com as mãos na ânsia de ar e de luz.

Por isso, às vezes, no silencioso vagar da noite mais longa e obscura, ouve-se um grito ensurdecedor: – Ahh!  Um poeta está liberto. Mais um.

 

Aos poetas de gaveta

De coração

Norma Bruno

 

*Imagem capturada na Internet