A Pesca da Tainha

Virgílio Várzea

Do lado leste, do mais alto cabeço da penedia, o vigia rompera a acenar com sua camisola vermelha. Era um magote de tainhas que negrejara ao longe, à superfície do mar verde, caminhando na direção de terra.

De repente, o Delfino, um dos proprietários das redes, que estava de pé sobre um cômoro, a fixar o mar e vários pontos da costa com seus olhos de grande visão, deparou com a enorme manta de peixe, ao mesmo tempo que dera com o sinal do vigia: e no atabalhoamento constante de nervoso, os braços no ar, botou-se a toda par ao rancho, a gritar: – Lá estão abanando! Lá estão abanando! Repontou agora, na altura dos Ganchos, uma manta de peixe que é um Deus nos acuda! Corram! Olha as canoas que larguem. Depressa!…

Todos ergueram-se a uma, olhando o mar, com as mãos arqueadas sobre os olhos. Gritos estrugiam de todos os lados:

– É verdade, que alentada que era, Nossa Senhora! Nunca se vira tanto peixe assim! Eram para mais de cem mil! Aquilo ia coalhar tudo…

Além, de pé, sobre a rocha alta, o vigia continuava a acenar.

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Marinha

Hoyêdo de Gouvêa Lins

Examinei a noite,

que discretamente retirava os véus

em cujas dobras

tremeluziam tardias estrelas.

Tem mais pressa o homem

de pôr sua canoa em silhueta

contra o azul-escuro

da montanha ao longe,

onde o céu termina;

mas aguarda pacientemente,

ancorado à vara de pescar,

que seu próximo almoço

lhe venha às mãos calosas.

– Madruguei, como o pescador,

na companhia de lembranças

que tiveram o mar

por testemunha.