The End

Cinemas abandonados

No Fim a Mocinha morre.

O Mocinho morre.

De Amor.

Os Bandidos também morrem.

De inveja.

 

Do livro Prosa Quase Poesia e Vice-Verso. Tempo Editorial, 2015.

 

*Imagem: Cinemas Abandonados.

Capturada na Internet

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Em Resposta

Para Clarice Villac

E a ponte
de palavras,
sutil
emite sinais
pro sensível
em cada um
espelha similitudes…

Sim, todos temos inquietudes…
percorrer a ponte
quase-silábica,
unindo entrelinhas,
nos conforta.

um beijinho pra Poeta, outro pra Fotógrafa,
Clarice Villac,
08.12.2016.

Para ler o texto original:

https://normabruno.wordpress.com/2012/11/01/tenho-dias-esquisitos/

Do livro Prosa Quase Poesia ou vice-verso. Tempo Editorial, 2015.

Ao Vento Retornarás!

Aos que me amam, declaro:

Quando eu morrer, doem tudo o que possa ser reaproveitado. Deve sobrar pouca coisa, dada a minha pouca estatura, mas, o que sobrar, lancem ao fogo (peço apenas que se certifiquem de que morri mesmo, por gentileza). Minhas cinzas lancem-nas, se possível, de cima da Ponte Hercílio Luz em dia de Vento Sul (sempre tive atração pelas narrativas de gente que enlouquece e se “joga da Ponte”).  Se puderem, digam as seguintes palavras:

Vai, Norma Bruno, volta pra Casa!

Estarei bem, eu que sempre vivi a três palmos do chão.

p1020215-forte-santana-e-ponte-velha-amorim

P.S.: melhor verificarem para que lado sopra o vento, pois correm o risco de me trazerem de volta pra casa. Nos cabelos. (Aviso: eu vou morrer de rir!).

Do livro Prosa Quase Poesia – ou vice-verso. Tempo Editorial, 2015

Foto: Carlos Amorim

Oração pelos Desesperançados

Foto: Carlos Amorim
Foto: Carlos Amorim

Pelas crianças concebidas sem amor,

Pelos que choram sozinhos na noite escura,

Pelos jovens sem futuro, pelos velhos privados de atenção,

Pelos que estão nascendo neste exato momento,

Pelos que estão morrendo neste exato momento,

Pelas almas aflitas, pelos insones

Pelos endividados,

Pelos bêbados, pelos drogados,

Pelos que se prostituem, pelos que os compram,

Pelos homens e mulheres inférteis,

Pelos insones,

Pelos homens fracos, pelas mulheres áridas,

Pelos que não conseguem dar o primeiro passo,

Pelos amores infelizes, pelos que desconhecem o Amor,

Pelas mães dos condenados, pelos condenados,

Pelas viúvas, pelos viúvos,

Pelas mulheres que abortam, por seus filhos abortados,

Pelos suicidas,

Pelos que lutam pela Vida, pelos que desperdiçam a Vida,

Pelos muito ricos, pelos muito pobres,

Pelos que dormem nas ruas,

Pelas crianças violentadas, pelos violadores,

Pelos desempregados,

Pelos que têm fome, pelos que têm sede,

Pelos diagnosticados de doença fatal,

Pelos náufragos,

Pelos que estão perdidos nas matas,

Pelos soterrados,

Pelos acidentados,

Pelos sequestrados, pelos sequestradores,

Pelos assassinados, por seus algozes,

Pelas crianças com medo, pelos adultos com medo,

Pelos que não conseguem proteger seus filhos da doença e da dor,

Pelos traidores, pelos traídos,

Pelos jovens levados à guerra, pelos que declaram guerras,

Pelos refugiados, pelos desterrados,

Pelos que não querem partir, pelos que não querem ficar.

Por todos os que perderam a esperança,

E por mim também, que às vezes me sinto tão pequena e tão só.

(Escrito para Sharbat Gula, em 2002. Republicado a propósito do naufrágio e morte dos milhares de refugiados nas águas do Mediterrâneo. A propósito das vítimas do terremoto de Kathmandu. A propósito da barbárie que assola os nossos dias).

Publicado no livro Prosa Quase Poesia  – ou vice-verso – Tempo Editorial 2015).