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Foto:  Graffiti Renda de Bilro sobre boeiro numa rua de Florianópolis. Intervenção urbana de Thiago Furtado (Valdi-valdi).

Ficarei feliz com sua presença.

Norma Bruno

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Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto

 

Capa: Renda de Bilro – Graffiti sobre bueiro numa rua de Florianópolis. Intervenção urbana de Thiago Furtado (Valdi-valdi).

Em Cenas Urbanas e Outras nem Tanto, reúno contos e crônicas onde a cidade de Florianópolis é, em geral, cenário, às vezes tema, mas sobretudo, personagem. Me apresento como uma colecionadora de cenas urbanas, os textos baseados nos fatos pitorescos observados em minhas andanças pelas ruas, nas frases ouvidas furtivamente dentro dos ônibus, aqui e acolá.  Falo delas como quem mostra, a um amigo, velhas fotos guardadas numa caixa de sapatos. Silveira de Souza diz, no prefácio, que “o livro também poderia chamar-se ‘A alma encantadora das ruas de Floripa’ fazendo uma analogia com a Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio, o que me deixou muito feliz, já que esse livro não sai da minha cabeceira e o João do Rio é, ao meu olhar, “o” cronista brasileiro. Mas o mérito é das pessoas, protagonistas de suas próprias “estórias”. O que eu faço é só prestar atenção.

Retalhos de conversas, coisas inusitadas ou fatos da mais pura trivialidade, recolho tudo. De tempos em tempos as histórias se apresentam, reclamando sua página, daí vou narrando o que vi, enxertando pequenos fragmentos de uma história em outra, inventando outras tantas, misturo tudo…As personagens são a Ilha e seus tipos: a mulher na janela (a alcoviteira), o nativo em toda sua singularidade, a rendeira e o pescador (personagens cuja essência, ao meu olhar, é mitológica, épica) e a pessoa que passa, envolvida com o que a sua vida tem de miserável, de patético e também de grandioso.

Minha ambição é, quem sabe, um dia, aprender a traduzir a alma do ilhéu, seu jeito singular de sentir, de pensar e de agir, um esforço sabidamente infrutífero, pois a alma do ilhéu não cabe em palavras.

O livro traz a seguinte advertência:

Muito do que se lê aqui aconteceu, de fato, do jeito mesmo que é narrado; muito mistura realidade e fantasia. O resto é inventado. Mas, a considerar a vasta criatividade humana e as possibilidades que uma cidade oferece, tudo bem que podia ter acontecido…”

 Ass: Norma Bruno