Fosse Antes Chamar-se-ia Filosofia de Bar

Quem gosta de migalhas é pombo e peixinho de aquário. Não sou nem uma coisa e nem outra. Sou uma mulher faminta. Da Vida eu quero é a torta inteira.

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*Imagem capturada na Internet.

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Rádio Táxi

Na roda do bar o assunto é o Amor. As pessoas são provocadas a defini-lo. As respostas vão dos habituais clichês aos mais desarrazoados discursos de desapego e as inevitáveis soluções “da hora” que envolvem um misto de niilismo com pitadas de canalhice. O debate é acalorado. Quando chega a minha vez, eu digo: – Não sei. O que é eu não sei. Sei o que ele faz. – E o que ele faz? Alguém pergunta. – O Amor desarranja tudo o que está ordenado e depois dispõe da tua vida como melhor ou pior lhe aprouver. Todos concordam. A discussão acaba. Eu chamo um táxi.

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Imagem capturada na Internet

Dos Deveres de uma Boa Avó

Saio do Pilates atrasada para um almoço à convite da Filha. Esbaforida – é o tempo de um rápido banho e uma breve montagem, tipo tudo preto com bota preta -, abro a porta e dou de cara com um neto que “mora longe” no meio da minha sala. Assim. Sem aviso. Sem preparo emocional. Antes da explosão de alegria – o almoço era mentira -, a bronca nos filhos que urdiram a surpresa, mancomunados: – Vocês querem me matar do coração?  E eu lá ensinei vocês a mentir? Isso a gente aprende sozinho, mãe!, diz o pai da criança.

Os planos mudam de bateção de perna no shopping para bateção de perna no sítio, o que implica em dar comida pra galinha, correr de ganso no pasto, levar rasante de borboleta, apontar passarinho no céu, pisar em bosta de vaca, tomar café coado e comer cuca de banana. Se tudo isso já é bom sozinho, imagina com família, imagina com neto.

No retorno para casa, o Neto, aceso, tira uma meleca do nariz e a passa no banco da frente. A meleca volta no seu dedinho gordo. Eu digo: – Não é aí, querido. É aqui, ó! (apontando a base da sua cadeirinha). A Tia Dinda, metida onde não é chamada e esquecendo que teve infância: – Olha o que a tua mãe tá ensinando pro teu filho, JP!!!! Ensinando a botar meleca debaixo do banco!

Respondi: – Vó tem que ensinar a fazer a coisa certa!

O Neto aprendeu.

JA na Fazenda 1